Abílio Aires, no seu 10º livro “Coração de África”, conta-nos em palavras simples e mágicas, o que viveu nos tempos marcados pela emigração e nos que posteriormente lhe vieram a dar lugar. Fala-nos da partida para o paraíso em África, da guerra, dos amores vividos, do forçado regresso e dos momentos de magia que se vivem quarenta anos depois! E diz-nos, que os campos de África pareciam jardins! As capulanas de várias cores enfeitavam-nos como que primavera fosse! Os cânticos das mulheres, na delicada tarefa da monda do arroz, não deixavam margem para dúvidas que África era cor e alegria naqueles dias ensolarados de verão! Até os dias de chuva tinham mais encanto, quando uma capulana molhada cobria um corpo bem modelado, deixando perceber que entre a cútis e aquela peça de roupa mais nada existia! Era o mais lindo que havia, produzido pela natureza! Aos domingos na aldeia havia missa, baile e futebol. Os jovens decidiam-se mais pelas últimas duas. Pelo baile eram mais aqueles que queriam alimentar a ilusão de ter nos braços a menina dos seus sonhos. Eles, porque elas traziam o príncipe encantado nas pupilas dos olhos!
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